Dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro enviados ao
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam expansão do crime organizado no
estado desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu as ações em
favelas cariocas, em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Segundo o relatório
do CNJ, entregue ao STF na última segunda-feira, 9 de abril, existem cerca de
1,7 mil localidades no Rio sob domínio de organizações criminosas.
O Comando Vermelho (CV) exerce o maior poderio, em mais de
mil regiões, mas o setor de inteligência da Polícia Civil verificou ainda que
outras organizações também têm atuação no estado, como o “Terceiro Comando
Puro” (TCP), o “Amigos dos Amigos” (ADA), além de atuações pontuais do
“Primeiro Comando da Capital” (PCC), principalmente dedicadas ao tráfico
internacional de drogas.
O texto também aponta a existência de milícias, em especial
a que atua na zona oeste, o chamado “Bonde do Zinho”, e cita que “um novo
fenômeno” tem surgido no estado, as chamadas “narcomilícias”, ou seja, grupos
formados a partir da aliança entre traficantes e milicianos, antes rivais, com
o objetivo principal de conquistar mais territórios.
“Após a implementação da ADPF [Arguição de Descumprimento de
Preceito Fundamental] 635, que impôs restrições à atuação policial, houve um
aumento significativo nos confrontos territoriais. Ficou evidente que o Comando
Vermelho, a maior organização criminosa do Rio de Janeiro, está expandindo suas
operações e buscando maximizar seus domínios territoriais. Eles têm empreendido
guerras por disputas territoriais em toda a Zona Oeste, buscando assumir o
controle total de áreas como Gardênia Azul, Rio das Pedras, Muzema, Tijuquinha,
Morro do Banco, César Maia e Terreirão, o que provocou uma desordem em toda a
região da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Itanhangá, Jacarepaguá e
Vargens, aumentando significativamente a sensação de insegurança da população”,
descreve o documento.