notícia Após decisão do STF, expansão do crime organizado aumenta nas favelas do Rio de Janeiro 12-04-2024 Após decisão do STF, expansão do crime organizado aumenta nas favelas do Rio de Janeiro

Dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro enviados ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam expansão do crime organizado no estado desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu as ações em favelas cariocas, em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Segundo o relatório do CNJ, entregue ao STF na última segunda-feira, 9 de abril, existem cerca de 1,7 mil localidades no Rio sob domínio de organizações criminosas.

 

O Comando Vermelho (CV) exerce o maior poderio, em mais de mil regiões, mas o setor de inteligência da Polícia Civil verificou ainda que outras organizações também têm atuação no estado, como o “Terceiro Comando Puro” (TCP), o “Amigos dos Amigos” (ADA), além de atuações pontuais do “Primeiro Comando da Capital” (PCC), principalmente dedicadas ao tráfico internacional de drogas.

 

O texto também aponta a existência de milícias, em especial a que atua na zona oeste, o chamado “Bonde do Zinho”, e cita que “um novo fenômeno” tem surgido no estado, as chamadas “narcomilícias”, ou seja, grupos formados a partir da aliança entre traficantes e milicianos, antes rivais, com o objetivo principal de conquistar mais territórios.

 

“Após a implementação da ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental] 635, que impôs restrições à atuação policial, houve um aumento significativo nos confrontos territoriais. Ficou evidente que o Comando Vermelho, a maior organização criminosa do Rio de Janeiro, está expandindo suas operações e buscando maximizar seus domínios territoriais. Eles têm empreendido guerras por disputas territoriais em toda a Zona Oeste, buscando assumir o controle total de áreas como Gardênia Azul, Rio das Pedras, Muzema, Tijuquinha, Morro do Banco, César Maia e Terreirão, o que provocou uma desordem em toda a região da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Itanhangá, Jacarepaguá e Vargens, aumentando significativamente a sensação de insegurança da população”, descreve o documento.