Por 336 votos a favor, 142 contra e duas abstenções, o
Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), o texto-base
do primeiro projeto de lei complementar que regulamenta a reforma tributária
sobre o consumo. A versão do texto inseriu uma trava para a alíquota do futuro
Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), inclui remédios na lista de produtos com
imposto reduzido e amplia a cesta básica nacional com imposto zero. O texto
será enviado para análise do Senado Federal.
Por meio de um destaque, carnes (de qualquer tipo), peixes,
queijos e sal foram incluídos na lista de alimentos com isenção. O destaque
para isentar as carnes e as proteínas animais foi aprovado por 477 votos a
favor, três contra e duas abstenções, após destaque do PL, principal partido de
oposição.
Apesar de articulada pela bancada ruralista e pela indústria
de alimentos, a isenção foi acatada pelo relator do projeto de lei, deputado
Reginaldo Lopes (PT-MG) e celebrada pela líder do PT na Câmara, deputada
Benedita da Silva (RJ). “É o sonho do presidente Lula todo o tempo se colocando
de que era muito importante que houvesse proteína na cesta básica das pessoas
mais vulneráveis”, disse a parlamentar.
Pelo texto enviado pelo governo, as carnes estavam na lista
de produtos com alíquota reduzida para 40% da alíquota original, pagando 10,6%
em vez de 26,5%. Agora terão alíquota zero.
Antes das carnes e dos queijos, o relator tinha incluído, de
última hora, óleo de milho, aveia e farinhas na cesta básica nacional, que não
pagará IVA. Ele também incluiu pão de forma e extrato de tomate nos produtos
com imposto reduzido. Antes da votação do destaque da carne, a Câmara derrubou
dois destaques, um que buscava introduzir incentivos para a construção civil e
outro que buscava incluir armas e munições na cobrança do Imposto Seletivo.
Lopes também aumentou a lista de medicamentos com alíquota
reduzida para 40% da alíquota cheia. O texto original do governo previa uma
lista de 343 princípios ativos com isenção de imposto e 850 com alíquota
reduzida. O texto aprovado ampliou a lista de alíquotas reduzidas para todos os
medicamentos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
e os medicamentos produzidos em farmácia de manipulação.