notícia Goiás aposta no pequi sem espinho e transforma fruto do Cerrado em lavoura comercial 12-01-2026 Goiás aposta no pequi sem espinho e transforma fruto do Cerrado em lavoura comercial

Durante décadas associado quase exclusivamente ao extrativismo, o pequi começa a viver uma nova fase no Cerrado. Em Goiás, o avanço do pequi sem espinho vem permitindo que o fruto típico da região deixe de depender apenas das colheitas sazonais em áreas nativas e passe a integrar um modelo de lavoura comercial planejada, com produção previsível e maior retorno econômico para o produtor rural.

 

A mudança é impulsionada por novas variedades de pequi sem espinho desenvolvidas pela pesquisa pública brasileira. Os materiais foram criados por pesquisadores da Embrapa Cerrados, em parceria com a Emater-GO, após anos de estudos e seleção genética. O principal diferencial está na ausência dos espinhos no caroço, o que facilita a extração da amêndoa, aumenta a segurança no consumo e torna o fruto mais atrativo para a indústria alimentícia e para o consumidor final.

 

Mesmo com a modificação estrutural, o pequi sem espinho mantém o sabor, a coloração e o aroma característicos do fruto tradicional. Além disso, apresenta polpa mais grossa e suculenta, o que amplia o rendimento industrial e o aproveitamento culinário, tanto no consumo in natura quanto no processamento.

 

Outro aspecto estratégico do cultivo é o uso de áreas de reserva legal. Desde os anos 2000, o plantio de pequi ocorre principalmente nessas áreas que o produtor é obrigado a manter por lei. Na prática, isso transforma o Cerrado em espaço de produção sustentável, conciliando preservação ambiental e geração de renda no campo.

 

O avanço da cultura já é visível no mercado de mudas. Em Goiás, o produtor e viveirista Mauro Filho, sócio da Plant Roots Viveiro Ambiental, comercializa entre 60 mil e 70 mil mudas de pequi sem espinho por ano, sinal do interesse crescente dos agricultores pela cultura. A demanda elevada se reflete nos preços: cada muda é vendida por cerca de R$ 150, valor aproximadamente dez vezes maior que o do pequi comum.

 

 

Além da produção de mudas, Mauro Filho também investe no cultivo comercial. Ele mantém uma lavoura com 4 mil pés de pequi sem espinho, sendo que 2 mil já estão em produção. Segundo o produtor, a variedade é mais precoce e começa a produzir a partir do quarto ano, com boas safras bienais, o que facilita o planejamento financeiro da atividade.

 

No Mato Grosso, os plantios comerciais também ganham escala. Em municípios como Gaúcha do Norte, já existem cerca de 60 hectares cultivados com pequi sem espinho, com pomares que entraram em produção nos últimos dois anos. A maioria dos projetos utiliza mudas enxertadas, tecnologia que reduz o tempo de entrada em produção e garante maior uniformidade das plantas e dos frutos.