Inúmeras pessoas acompanham a Procissão do Fogaréu, que
acontece na madrugada de quarta para quinta-feira, de 27 para 28 de março, na
cidade de Goiás. A celebração da fé tem início a partir do Museu de Arte Sacra
da Boa Morte e segue pelas ruas do município em direção ao Santuário de Nossa
Senhora do Rosário. Ao todo, 40 homens vestidos de farricocos encenam a busca e
a prisão de Jesus Cristo.
Sendo a mais famosa e mais apreciada pelos turistas do
Estado, a Procissão do Fogaréu é Patrimônio Cultural e Imaterial, que remonta
ao século XVIII, com inspiração em um evento originado em Sevilha, na Espanha.
Registros apontam que a celebração teve início por volta de 1745, sendo
paralisada no início do século XX. Já em 1965, a tradição foi reinventada com a
criação da Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT), permanecendo
ativa até o momento.
Com 40 de farricocos (homens com trajes típicos que cobrem
todo o corpo), a procissão acontece em formato de cortejo iluminado apenas
pelas tochas que carregam. A chegada ao Santuário do Rosário é marcada pela
encenação da última ceia, quando os farricocos encenam um diálogo e descobrem
simbolicamente que Cristo já fez esteve ali e se retirou.
Logo após, eles retomam às ruas, rumo à Igreja São Francisco
de Paula, que representa o Monte das Oliveiras. Lá, os farricocos encontram
Cristo e ao som do clarim, o prendem. Nesse ato, Cristo é simbolizado por uma
pintura feita em linho, pela bisneta de Veiga Valle, a Sra. Maria Veiga. Após o
sermão do Bispo Diocesano, os farricocos retomam o percurso em direção ao Museu
de Arte Sacra da Boa Morte para encerrar a Procissão.