O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a
criticar neste sábado (15) a conduta do primeiro-ministro de Israel, Binyamin
Netanyahu, na guerra contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
“O primeiro-ministro de Israel, ele não quer resolver o
problema. Ele quer aniquilar os palestinos em cada gesto, cada ato”, afirmou
Lula a jornalistas na Puglia, no sul da Itália, onde participou da reunião de
cúpula do G7. “Vamos ver se ele vai cumprir a decisão do tribunal
internacional. Vamos ver se ele vai cumprir a decisão tirada da ONU agora.”
Lula fazia menção a uma resolução pedindo o cessar-fogo no
conflito aprovada pelo Conselho de Segurança na ONU na segunda-feira (10). A
medida não tem efeito prático —esta foi a segunda vez que uma moção nesse
sentido passou no órgão. Mas aumenta a pressão para que Tel Aviv e Hamas
cheguem a um acordo.
A declaração do petista neste sábado se deu em resposta a
uma pergunta se o discurso do líder no G7 da véspera tinha sido uma tentativa
de amenizar seu discurso em relação a Israel. Então, ao afirmar que o “legítimo
direito de defesa” tinha se transformado em “direito de vingança” durante os
enfrentamentos, Lula não citou diretamente o Estado judeu.
A fala, dada no último compromisso do presidente na Europa
antes de voltar ao Brasil, tem potencial para reabrir a contenda diplomática
entre Brasil e Israel iniciada no começo do ano, depois de Lula comparar as
ações de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista. A correlação fez a
chancelaria israelense declarar o petista persona non grata no país no Oriente
Médio.
Ainda neste sábado, autoridades de saúde de Gaza, ligadas ao
Hamas, atualizaram a cifra de palestinos mortos no conflito para 37.296. Não se
sabe quantos destes são civis e quantos são terroristas.
Na mesma data, o Exército israelense afirmou que oito de
seus soldados morreram em uma explosão em Rafah, na fronteira com o Egito. Em
maio, o órgão divulgou que cerca de 700 militares e membros das forças de
segurança morreram desde o início dos enfrentamentos, além de aproximadamente
800 civis, a grande maioria durante os ataques de 7 de outubro.