A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da
escala 6×1 (seis dias de trabalho, um de descanso) atingiu o quórum de
assinaturas necessário para começar a tramitar na Câmara dos Deputados. O
projeto é de autoria da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que formalizou
uma iniciativa do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), do vereador eleito no
Rio Rick Azevedo (PSOL).
O texto conta com 194 assinaturas no sistema interno da
Câmara no início da manhã desta quarta-feira, 13. Para que a PEC fosse
protocolada, eram necessários ao menos 171 signatários. A mobilização em torno
da proposta ganhou força com a adesão de deputados federais do PT, do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a sigla mais representativa entre os
parlamentares que já assinaram o requerimento. No momento, 68 deputados
federais petistas são signatários do texto.
Além da autora, todos os outros 13 parlamentares do PSOL da
Câmara assinaram a proposta, além de mais 13 deputados federais do PSB. A PEC
do fim da escala 6×1 também conta com assinaturas de 20 deputados federais do
União Brasil, 15 assinaturas do PSD, dez do Progressistas, sete do Republicanos
e um parlamentar do PL, o deputado federal Fernando Rodolfo (PE).
Uma vez protocolada, a PEC começará a ser discutida na
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara. No colegiado, haverá a
designação de um relator para o texto, que poderá modificar o projeto por meio
de um substitutivo, além de acatar sugestões de outros deputados federais.
Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, a proposta
seguirá para a apreciação de uma comissão especial. Somente após esse trâmite,
o texto ficará apto a ser pautado no plenário.
A inclusão do texto na ordem do dia de votações, no entanto,
não é imediata e, na prática, depende de um acordo entre o colégio de líderes
da Casa, formado por líderes das siglas e de blocos parlamentares, como o bloco
governista e da oposição. É por isso que, desde já, a deputada federal Erika
Hilton sinaliza que vai discutir a medida com líderes parlamentares, como o
presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).
O quórum exigido para a aprovação de PECs na Câmara é de 308
votos favoráveis entre os 513 deputados federais. Com um aval da Câmara, o
texto passa para o Senado, no qual a aprovação em plenário demanda voto
favorável de 49 senadores entre os 81 membros da Casa. Em PECs, não há sanção
presidencial após aprovação das propostas pelas duas Casas do Legislativo.