notícia Pesquisa detecta substância tóxica em peixes capturados em córrego de Goiás 16-10-2025 Pesquisa detecta substância tóxica em peixes capturados em córrego de Goiás

Peixes capturados em diferentes pontos da Bacia do Rio Paranaíba apresentaram contaminação por substância tóxica. A análise foi feita durante estudo realizado com o objetivo de aferir o nível de contaminação das águas do Córrego Sussuapara, na região de Bela Vista de Goiás. A constatação partiu do Projeto AquaCerrado, composto por pesquisadores que atuam para mitigação de impactos ambientais. Agora, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) avalia a contratação de um estudo mais amplo para verificar o resultado apontado e indicar soluções.

 

A substância química em questão é a acrilamida, que apesar de ser encontrada em alimentos cozidos em altas temperaturas, pode, segundo publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), causar câncer em animais. Em humanos, médicos associam o consumo a mutações e danos ao DNA, os quais podem colaborar para surgimento de câncer. A acrilamida, ainda não compõe a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (Linach).

 

O material é usado na usada na produção de poliacrilamida, a qual é empregada no tratamento de água potável e águas de reuso para remover partículas e outras impurezas. A acrilamida também utilizada na produção de colas, papel, cosméticos e ainda em construção, nas fundações de represas e túneis.

 

Em um dos animais analisados na Bacia do Rio Paranaíba, foco principal da pesquisa, a incidência da substância foi de 4,22 miligramas por litro (ml/L), o que representa um valor muito acima dos parâmetros toleráveis e previstos pelo Ministério da Saúde. No cruzamento de dados, isso equivale, segundo os técnicos envolvidos nos estudos, a um parâmetro 8,4 mil vezes maior que o regular.

 

Ainda que a acrilamida tenha sido encontrada nos peixes alvos da pesquisa, na água ela não foi detectada em níveis significativos. A hipótese é que a acrilamida esteja acumulada de forma crônica no organismo dos peixes, possivelmente por meio da exposição repetida à substância. As análises do AquaCerrado, responsável pelo estudo, mostram que essa substância foi detectada em sete diferentes regiões do Córrego Sussuapara, próximas à estação de tratamento de esgoto (ETE) de Bela Vista de Goiás.