notícia ‘Ter filhos passou a ser uma decisão planejada’, diz professor sobre queda nos nascimentos em Goiás 16-12-2025 ‘Ter filhos passou a ser uma decisão planejada’, diz professor sobre queda nos nascimentos em Goiás

O recuo no número de nascimentos em Goiás e no Brasil, revelado pelos dados divulgados na última quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidencia uma transformação profunda no perfil demográfico do país. Em 2024, Goiás registrou 79.099 nascimentos, o menor número desde o início da série histórica, em 2003. O total representa uma queda de 3,3% em relação a 2023, quando foram contabilizados 81.869 registros. No cenário nacional, o Brasil teve pouco mais de 2,38 milhões de nascimentos em 2024, uma redução de 5,8% comparado aos 2,52 milhões do ano anterior, configurando a maior queda dos últimos 20 anos.

 

Para o professor Paulo Henrique Cirino Araújo, economista, mestre e doutor em Economia Aplicada e coordenador do grupo de pesquisa sobre Envelhecimento Populacional e Políticas Públicas da Universidade Federal de Goiás, os números não devem ser analisados como um fenômeno isolado. Em entrevista ao Mais Goiás, ele explicou que a redução dos nascimentos está inserida em um processo estrutural de longo prazo, conhecido na literatura como transição demográfica. Segundo o pesquisador, esse processo descreve apassagem de um regime de altas taxas de natalidade e mortalidade para outro caracterizado por índices mais baixos, acompanhando mudanças econômicas, sociais e culturais.

 

Ao analisar especificamente o caso goiano, o professor destaca que o estado alcançou, nas últimas duas décadas, o menor patamar de nascimentos já registrado, com números próximos a 80 mil nascidos vivos. Ele observa que, entre 2015 e 2025, houve uma redução absoluta de cerca de 10 mil nascimentos, o que reforça a consistência da tendência de queda. Apesar disso, Goiás acompanha, em linhas gerais, o movimento observado no restante do país.

 

“Goiás segue a tendência média do Brasil no que se refere à redução da fecundidade e ao aumento da população com idade acima de 60 anos”, afirma. No entanto, ele chama atenção para o ritmo acelerado dessas mudanças no interior do estado, especialmente em municípios com menos de 10 mil habitantes, onde os impactos sociais e econômicos tendem a ser mais intensos.